Terça-feira, Fevereiro 22, 2005
O Calvário do Curso de Complemento de Formação
Ser enfermeiro nos dias de hoje não é fácil? Trabalhamos por turnos, temos uma profissão de risco, o nosso trabalho é mal remonerado e muitas das vezes não é sequer reconhecido e para completar o quadro é nos vedado o acesso à fo5rmação, precisamente por aquelas pessoas que exigem que o curso de enfermagem seja licenciatura: o Governo.
É minha firme convicção que a evolução da profissão assenta na especialização dos conhecimentos, só assim teremos enfermeiros mais capazes e competentes. Neste sentido concordo com a criação do Curso de Complemento de Formação em Enfermagem (CCFE) que tem como objectivo tornar os enfermeiros bacharéis em licenciados, mas não posso concordar com os moldes em que esta medida de transição foi criada.
Não compreendo como os parceiros sociais (Ordem dos Enfermeiros, Escolas de Enfermagem e Ministrério Da Saúde) se propõem a formar tantos enfermerios em tão curto espaço de tempo (a partir de 2006 não é possível frequentar o CCFE) quando reduzem as vagas a mais de metade (por exemplo a Escola Artur Ravara tinha 120 vagas a concurso o ano passado este ano teve apenas 30) e quando existem atrasos sistemáticos na abertura dos concursos porque o Ministério não atribui vagas às escolas.
Não compreendo como é possível prejudicar serviços, colegas e doentes uma vez que a frequência do CCFE implica uma revolução nos recursos de enfermagem disponiveis, 7 elementos da minha equipa frequentaram o CCFE em simultâneo (a equipa é constituida por 25 elementos) podem imaginar o esforço adicional que foi exigido aos enfermeiros. Na minha opuinião o CCFE poderia ser orientado (em parceria com as Escolas) pelos enfermeiros Chefes e Especialistas que têm competências na área da formação, no local de trabalho sem prejuízo para as instituições e em beneficio destas. não compreendo a exigência de disparidades nos critérios de seriação dos candidatos apresentados pelas várias Escolas, nem tão pouco a atribuição da ponderação a esses critérios, será que participar em Orgãos de Gestão ou lecionar aulas numa Escola de Enfermagem representa menos responsabilidade do que publicar um artigo ou aprtesentar uma comunicação?
Não compreendo a diferença entre os vários planos curricculares das Escolas, quando o objectivo do CCFE é comum a todas elas "Assegurar o esforço, a extenção ou o aprofundamento da formação em Enfermagem", porque existem Escolas que não têm Projecto de Investigação?
Não compreendo porque dão priporidade aos cursos de pós-licenciatura de especialização em Enfermagem, muitos colegas ainda não tiveram a oportunidade de enfrentar o CCFE, uma vez que o número de vagas disponibilizado pelas Escolas é manifestantemente insuficiente.
Ñão compreendo porque razão me impedem dce concorrer às 60 vagas da Escola Superior de Enfermagem Calouste Gulbenkian de Lisboa se concorrer às 100 vagas disponibilizadas pela Escola Superior de Enfermagem Maria Fernanda Resende e vice-versa, na minha santa ignorância pensava que vivia num estado de direito e que reunindo os requisitos legais podia, libremente concorrer a qualquer Escola do país para fazer o CCFE, mas parece que não é bem assim...
Não compreendo como as Escolas simplesmente duplicam os emolumentos referentes à candidatura ao CCFE quando as vagas diminuem e o número de candidatoa aumenta, o que é óptimo para engordar os cofres?
O meu calvário começou em 1999 aquando da abertura das primeiras candidaturas ao CCFE, nessa altura tinha o curso de Bacharel há 3 anos, muito intusiasmada fui apresentar a minha candidatura na Escola Superior de Enfermagem Calouste Gulbenkian de Lisboa, a desilusão foi total: uma fila sem fim de colegas mais velhos que trabalhavam há 15 e mais anos, os candidatos eram tantos que estavam a distribuir senhas de atendimento para o dia seguinte! "Isto não vai ser fácil, com tão pouca experiência profissional vou ter que investir muito no currículo!", pensei. E assim fiz: frequentei cursos de formação, participei em algumas acções de formação em serviço, apresentei comunicações em congressos, orientei alunos em estágio, exerci funções de chefe de equipa, colaborei em alguns projectos... Como tenho o curso à relativamente pouco tempo há alguma actividades que não tenho oportunidade de desenvolver como por exemplo: ser responsável pela formação, colaborar na gestão de serviço ou na avaliação de desempenho. Concorri a várias escolas desde de Évora, a Portalegre, a Beja, a Setúbal, passando pelas Escolas de Lisboa, sempre com resultados negativos. A cada ano que passa repenso a minha vida e adio projectos que estão dependentes da realização do CCFE. A cada ano que passa sinto que a sua realização está cada vez mais longe! Não posso deixar de pensar: apenas me restam 3 anos para realizar o CCFE! Parece que o Governo quer empurrar a responsabilidade dos enfermeiros para instituições privadas, reduzindo assim a despesa pública, tudo isto com a conivência da Ordem dos Enfermeiros a das Escolas de Enfermagem. Acontece que eu sou funcionária pública e acho que o Estado tem a obrigação de garantir a minha formação pois ela é a garantia da qualidade dos cuidados de Enfermagem que presto aos cidadãos deste país.
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É minha firme convicção que a evolução da profissão assenta na especialização dos conhecimentos, só assim teremos enfermeiros mais capazes e competentes. Neste sentido concordo com a criação do Curso de Complemento de Formação em Enfermagem (CCFE) que tem como objectivo tornar os enfermeiros bacharéis em licenciados, mas não posso concordar com os moldes em que esta medida de transição foi criada.
Não compreendo como os parceiros sociais (Ordem dos Enfermeiros, Escolas de Enfermagem e Ministrério Da Saúde) se propõem a formar tantos enfermerios em tão curto espaço de tempo (a partir de 2006 não é possível frequentar o CCFE) quando reduzem as vagas a mais de metade (por exemplo a Escola Artur Ravara tinha 120 vagas a concurso o ano passado este ano teve apenas 30) e quando existem atrasos sistemáticos na abertura dos concursos porque o Ministério não atribui vagas às escolas.
Não compreendo como é possível prejudicar serviços, colegas e doentes uma vez que a frequência do CCFE implica uma revolução nos recursos de enfermagem disponiveis, 7 elementos da minha equipa frequentaram o CCFE em simultâneo (a equipa é constituida por 25 elementos) podem imaginar o esforço adicional que foi exigido aos enfermeiros. Na minha opuinião o CCFE poderia ser orientado (em parceria com as Escolas) pelos enfermeiros Chefes e Especialistas que têm competências na área da formação, no local de trabalho sem prejuízo para as instituições e em beneficio destas. não compreendo a exigência de disparidades nos critérios de seriação dos candidatos apresentados pelas várias Escolas, nem tão pouco a atribuição da ponderação a esses critérios, será que participar em Orgãos de Gestão ou lecionar aulas numa Escola de Enfermagem representa menos responsabilidade do que publicar um artigo ou aprtesentar uma comunicação?
Não compreendo a diferença entre os vários planos curricculares das Escolas, quando o objectivo do CCFE é comum a todas elas "Assegurar o esforço, a extenção ou o aprofundamento da formação em Enfermagem", porque existem Escolas que não têm Projecto de Investigação?
Não compreendo porque dão priporidade aos cursos de pós-licenciatura de especialização em Enfermagem, muitos colegas ainda não tiveram a oportunidade de enfrentar o CCFE, uma vez que o número de vagas disponibilizado pelas Escolas é manifestantemente insuficiente.
Ñão compreendo porque razão me impedem dce concorrer às 60 vagas da Escola Superior de Enfermagem Calouste Gulbenkian de Lisboa se concorrer às 100 vagas disponibilizadas pela Escola Superior de Enfermagem Maria Fernanda Resende e vice-versa, na minha santa ignorância pensava que vivia num estado de direito e que reunindo os requisitos legais podia, libremente concorrer a qualquer Escola do país para fazer o CCFE, mas parece que não é bem assim...
Não compreendo como as Escolas simplesmente duplicam os emolumentos referentes à candidatura ao CCFE quando as vagas diminuem e o número de candidatoa aumenta, o que é óptimo para engordar os cofres?
O meu calvário começou em 1999 aquando da abertura das primeiras candidaturas ao CCFE, nessa altura tinha o curso de Bacharel há 3 anos, muito intusiasmada fui apresentar a minha candidatura na Escola Superior de Enfermagem Calouste Gulbenkian de Lisboa, a desilusão foi total: uma fila sem fim de colegas mais velhos que trabalhavam há 15 e mais anos, os candidatos eram tantos que estavam a distribuir senhas de atendimento para o dia seguinte! "Isto não vai ser fácil, com tão pouca experiência profissional vou ter que investir muito no currículo!", pensei. E assim fiz: frequentei cursos de formação, participei em algumas acções de formação em serviço, apresentei comunicações em congressos, orientei alunos em estágio, exerci funções de chefe de equipa, colaborei em alguns projectos... Como tenho o curso à relativamente pouco tempo há alguma actividades que não tenho oportunidade de desenvolver como por exemplo: ser responsável pela formação, colaborar na gestão de serviço ou na avaliação de desempenho. Concorri a várias escolas desde de Évora, a Portalegre, a Beja, a Setúbal, passando pelas Escolas de Lisboa, sempre com resultados negativos. A cada ano que passa repenso a minha vida e adio projectos que estão dependentes da realização do CCFE. A cada ano que passa sinto que a sua realização está cada vez mais longe! Não posso deixar de pensar: apenas me restam 3 anos para realizar o CCFE! Parece que o Governo quer empurrar a responsabilidade dos enfermeiros para instituições privadas, reduzindo assim a despesa pública, tudo isto com a conivência da Ordem dos Enfermeiros a das Escolas de Enfermagem. Acontece que eu sou funcionária pública e acho que o Estado tem a obrigação de garantir a minha formação pois ela é a garantia da qualidade dos cuidados de Enfermagem que presto aos cidadãos deste país.
Enfermeira Graduada: Ana Paula Plácido Pais dos Santos